Você está entrando no Diário Gauche, um blog com as janelas abertas para o mar de incertezas do século 21.

Foto da francesa Vivian Dorothea Maier (1926-2009).

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

O que é mesmo uma crise capitalista?


Desde logo, vejamos o que não é uma crise capitalista:

Haver 950 milhões de famintos em todo o mundo não é uma crise capitalista.

Haver 4,75 bilhões de pobres no mundo não é uma crise capitalista.

Haver 1 bilhão de desempregados espalhados por todo o mundo não é uma crise capitalista.

Haver mais de 50% da população mundial no subemprego ou que trabalhe em condições precárias não é uma crise capitalista.

Haver 45% da população mundial sem a acesso direto à água potável não é uma crise capitalista.

Haver 3 bilhões de pessoas sem saneamento básico não é uma crise capitalista.

Haver 113 milhões de crianças sem acesso à educação e 875 milhões de adultos analfabetos não é uma crise capitalista.

Morrerem 12 milhões de crianças todos os anos por doenças que são perfeitamente curáveis não é uma crise capitalista.

Morrerem 13 milhões de pessoas a cada ano por causa da deterioração dos ambientes naturais e por mudanças climáticas não é uma crise capitalista.

Haver 16.306 espécies em vias de extinção, das quais 25% são mamíferos não é uma crise capitalista.

Tudo isto, como se sabe, já havia antes, e não gerou nenhuma crise capitalista.

Pode ser tudo, mas não é, segundo os economistas de mercado e “especialistas” na matéria, uma crise capitalista.

O que é, então, uma crise capitalista? Ou, dito por outras palavras, quando é que começa a sentir-se uma crise capitalista?

A crise capitalista aparece quando os lucros esperados, e que são o fim e a razão de ser das empresas capitalistas, não são alcançados. Aí sim, quando os lucros já não são tão elevados como se esperava, fala-se então de uma crise capitalista.

Ou seja, a crise capitalista surge quando os fatos associados aos indicadores sócio-econômicos acima referidos sobre a fome, a pobreza, o desemprego, a precariedade, a escassez de água potável e de apoio sanitário, mostram que não são suficientemente maus e negativos para garantir a rentabilidade dos investimentos e do capital dos poderosos grupos e empresas multinacionais, pelo que a manutenção da rentabilidade desses conglomerados empresariais exigirá ainda uma maior degradação das condições sociais de vida das populações como meio para garantir as tão almejadas taxas de lucro das grandes empresas mundiais, que são quem verdadeiramente dominam o mundo, segundo a lei que as governa, isto é, a maximização do lucro e a capitalização dos ganhos.

Curiosamente, dizem os “donos” deste mundo que quem não pensa em função da maximização dos lucros e da acumulação do capital, esses são pessoas sonhadoras, irresponsáveis, líricas, idealistas, subversivos…

Mas, afinal, quem se mostra verdadeiramente fanatizado pelo fundamentalismo do lucro e do capital, longe das realidades e das necessidades das populações, quem tem sido responsável pelo crescimento insustentável e desigualitário, quem se revela completamente viciado na roleta desta economia de cassino como é o capitalismo, são essas figuras pardas, cínicas e sombrias que nos governam, exploram e oprimem.

Pescado no lusitano blog do Viriato (menos a foto e os comentários da mesma), o piscoso “Pimenta Negra”.

Foto: Resgate de um pequeno barco com 76 adultos e jovens que fogem da fome e do desemprego na África. São apanhados pela polícia sanitária espanhola na cidade de Arona, ilha Tenerife, no arquipélago espanhol das Canárias, em 6 de novembro de 2008. De Manuel Lerida/AP/EFE.

Um dos grandes problemas do século 21 está sendo a imigração ilegal, parcelar e contínua de populações miseráveis fugindo da fome e da desocupação estrutural. A tendência é de aumento desse fenômeno migratório maciço. O sistema cospe fora o que não consegue empregar/consumir na reprodução ampliada do capital. O resultado social é mais conflitos étnicos na Europa, intolerância cultural e racismo por toda a parte.

51 comentários:

fabricio disse...

Êsse é o assunto do momento que relata a maior crise existencial do ser humano sobre a terra!! O poder capitalista não quer saber de noticias sobre a pobresa e as mazelas do mundo !! Parabéns Sr. FEIL !! BOM DIA !!

mariorangelgeografo.blogspot.com disse...

Não existe crise capitalista, vai dezer o Maia. Afinal de contas, o que ocorre é que são todos "vagabundos" e não querem trabalhar, nada mais é do que invenção de crise difundida por uma "certa esquerda caduca".

Mas falando sério agora, o custo dos lucros do capitalismo, está infinitamente mais alto do que no início do século XX, em decorrência da tecnologia e do aumento da demanda dos recursos naturais. Não nos damos conta de que, tudo que temos a nossa disposição, vem da natureza.

As corporações e os capitalistas, continuam lucrando, a despeito da crise ambiental que se abate sobre TODA a humanidade. Estamos em uma encruzilhada, e a nossa escolha vai refletir no futuro da Terra e da humanidade. O modelo capitalista desenvolvido e atuamente utilizado para maximizar lucros, já vinha apontando, a mais de trinta anos, este defecho.

Milhões e milhões de pessoas, animais, plantas e recursos minerais e energéticos são criminosamente suprimidos para o lucro. A nossa racionalidade econômica nos impede de ver o que está a nossa frente: o colapso de TODOS os sistemas, a Terra (Gaia) não supurtará por muito mais tempo a degradação provocada por tanta ganância.

Sem dúvidas, sou um sonhador, irresponsável, lírico, idealista e subversivo. Não se trata de negar os avanços e a ténica. Se trata de colocar a vida, e não os números, em primeiro lugar.

Clairton disse...

Descrição perfeita do "nosso" mundo!

Carlos Eduardo da Maia disse...

Capitalismo e crise é pleonasmo. É a mesma causa. Crise faz parte da dialética do capitalismo. Não existe capitalismo sem crise. E o capitalismo consegue se superar, como a Hydra de Lerna, de todas as crises. Impressionante. Nesse periodo pré foruns, onde se debate Utopia x Regulamentação, o Gordon Brown, primeiro ministro trabalhista britânico, fez uma bela síntese do que acontece hoje no mundo que estamos embutidos: "Precisamos criar uma moldura para governança internacional que no momento falta. Devemos considerar o déficit regulatório no nível global. O atual arranjo é inadequado". Venho dizendo isso faz anos e anos.

Noiram disse...

Este vídeo, de apenas 21min, complementa o tema discorrido.

http://br.youtube.com/watch?v=lgmTfPzLl4E

jukão disse...

"Venho dizendo isso faz anos e anos".

Hahahahahahahahahahah.....
Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk......

Carlos Eduardo Nostradamus Maia

KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK....

Vai te enxergar, ratazana constipada!

panoramix disse...

E Reagan, Tatcher, Bush, Blair e FHC não te ouviram Maia? Mas que gente mais inculta. Esta ratatulha nem ao menos lê o "Depôsito do Maia", onde os secos e molhados abundam no meio da cultura!

Juarez Prieb disse...

Telefonei pro Ben Bernanke.
Tens que ouvir o Carlos Eduardo Maia, Ben!
Esse rapaz merece ser mais ouvido!
Vocês ainda irão bater muita cabeça por não escutarem aquele çábio de Porto Alegre!

gustavo disse...

Çábio mas modesto... sorry!

Carlos Eduardo da Maia disse...

Infelizmente, nos últimos 8 anos ninguém ouviu nada acerca de uma proposta de uma globalização melhor e possível, porque o império americano foi governado por um troglodita rancheiro, um ermitão de botas de cowboy. As proveitosas conversas sobre a globalização e uma regulação dos mercados que existiam na época de Clinton foram para o espaço. Numa das cimeiras internacionais, com a participação de FHC, falou-se até de instituir mundialmente a taxa Tobin e o fim dos nefastos paraísos fiscais. Teve que acontecer uma crise mundial para que esse assunto voltasse a tona. Nesse sentido, o Fórum de Davos deste ano, com a participação de 42 presidentes, vai ser muiiiito interessante. O assunto regulamentação dos mercados e economia mundial volta a tona com força total.

mariorangelgeografo.blogspot.com disse...

Faça-me um favor, seu Maia-lacaio-do-capitalismo. "nos últimos 8 anos ninguém ouviu nada acerca de uma proposta de uma globalização melhor e possível", Tu é muito cara de pau!

O FSM luta por isso a ANOS...

FHC?

CLINTON?

"Nesse sentido, o Fórum de Davos deste ano, com a participação de 42 presidentes, vai ser muiiiito interessante".

Esse Maia-lacaio-do-caputalismo é impagável...

somente ele mesmo para me fazer rir

O capitalismo tombado em nocaute e o cara defendendo Davos...

KaKaKaKaKaKaKaKaKaKaKaKaK!!!!!!!!

Carlos Eduardo da Maia disse...

O FSM é uma titiquinha.... Um bando de formiguinha tentando construir "um mundo melhor possível". E ficam todos na epiderme da crítica, porque proposta real e concreta de um mundo melhor e possível não existe. É um fórum onde domina o pensamento fácil e medíocre do Meszarós: socialismo ou barbárie. E ai um vivente pergunta: mas que socialismo, tchê? E ninguém responde nada, porque ninguém sabe.... Esse é o FSM, um fórum de pensée unique, onde não é permitido pensamento divergente.

Carlos Eduardo da Maia disse...

Que falta me faz um namorado...

giovani montanher madruga disse...

excelente. ótima pescaria feil.
ontem mesmo pensava nisso, por um enfoque diferente.
certamente copiarei ele no pc como referencia.

fabricio disse...

O MAIA E O FRACASSADO MUNDO CAPITALISTA !!

Carlos Eduardo da Maia disse...

Eu preciso é de um HOMEM!

Anônimo disse...

Fórum Social Mundial?
Hahahahahahhah!

Com tanto fumo, pó, camisinha e gel não vão ter tempo para mais nada.

Anônimo disse...

Pois olha, vocês que de certo nem chegaram perto de qualquer dos fóruns sociais que aconteceram em Porto Alegre: fumo e camisinha pode ser que rolasse, mas pó é pra outro bando, esse que vai espirocar em Davos - porque, afinal, "competir é preciso", e quem agüenta passar a vida competindo se não turbinar o seu senso de poder?

Eu não tenho ligação com qualquer partido, nem com os de esquerda, e fui a TODOS os fóruns. Posso garantir, então, que proposta é o que nunca faltou - sobre economia, energia,comunicação, ambiente, relações sociais, agricultura, estruturas políticas - you name it... Pena que a nossa gloriosa "imprensa" não tava nem aí, exatamente porque é tosca, tacanha, mal informada e preconceituosa.Preferiram sempre dar destaque aos espetaculosos Chavez da vida do que enfocar o que REALMENTE acontecia lá. Se ao menos tivessem visto as crianças de uma escola pobre que dançaram no Gigantinho no último fórum, antes de os políticos entrarem com seus discursos enfadonhos, poderiam ter tido um vislumbre da fermentação impressionante que move a sociedade civil.

Agora, os mesmos turbinados a pó que geraram essa "crise do capitalismo" aproveitam o ensejo para, a pretexto de salvar nossa "pujante economia", botar mais gente no olho da rua e dar vazão aos mais podres e predatórios métodos de produção.

O maior mérito dos fóruns sociais foi, justamente, o de mudar enfoques. Buscar alternativas no que a sociedade está criando, enquanto os "grandes pensadores" falam e falam e falam e depredam.

Rita

mariorangel disse...

O Maia-lacaio-do-capitalismo surtou.

Alguém aqui falou em socialismo?

As alternativas já estão postas, mas os "donos" do Planeta tão cagando e andando para as pessoas.

Realmente essa bixa afetada precisa urgente de um namorado.

Quem se habilita a dar um trato nele?

Noiram disse...

E aqui na minha humilde cidadezinha do interior, tem um laranja de deputado estadual da base aliada que consome ecstasy como se fosse aspirina.

Carlos Eduardo da Maia disse...

Rita, um fato emblemático que ocorreu foi no 1º FSM quando se tentou fazer um diálogo, via satélite, ao vivo e a cores entre Porto Alegre e Davos. Falaram Oded Grajew e Bernard Cassen em POA e Jeffrey Sachs em Davos que passou a palavra para George Soros. E dona Hebe de Bonafini não deixou Soros falar e começou a gritar de forma histérica: "O senhor Soros é um hipócrita. Quantos crianças vocês matam por dia? O senhor não tem coragem de olhar nos meus olhos!"
O diálogo se interrompeu e nunca mais houve qualquer tentativa. Hoje participam, em Davos, 42 chefes de estado e em Belém apenas 5. E quando Lula, logo depois de eleito, disse que iria também aterrisar em Davos foi vaiadíssimo. Resumo da ópera: Quem não quer diálogo é o FSM e não se consegue vencer os problemas mundiais sem diálogo. É ou não é? Se Dona Hebe resolver ir a Davos será recebida, mas se Soros for para Belém será recebido?

panoramix disse...

Os "anônimos do pó" devem ser fanzocas do "stoned atlântida", alegria da garotada feliz, omissa e alienada do estado diferente. Só que em Atlântida o pó não é cheirado mas comido e não é raro vermos menores de idade completamente chapados ou bêbados. O FSM pelo menos tem objetivos, mesmo que sejam muitas vezes utópicos. Mas qual é o problema em alertar sobre o que está acontecendo, vai acontecer e tentar dar soluções?

Anônimo disse...

Olha gente não percam tempo com esse Maia, não vale o desgaste, ele é uma criatura virtual, impossível dialogar com esse tipo de criatura.
Hamilton Vieira

Noiram disse...

Eu queria saber quanto a RBS paga para o Maia opinar aqui no blog toda a hora, todos os dias da semana.

Castilho disse...

Tá lá no Site da Zero Hora(agorinha a pouco): Folgaça quer o FSM em Porto Alegre em 2011.

malacara disse...

Vai continuar querendo...

Ary disse...

Maia (14:14):
Você ficaria surpreso ao saber a enorme quantidade de maravilhas que surgiram no mundo a partir de "titiquinhas". Inevitavelmente, todos os grandes movimentos (nos países, nas corporações, nos movimentos libertários, se deram a partir de "algumas titiquinhas pensantes". Poderia, rapidinho, te fornecer duas dúzias de exemplos - mas deixe de moleza e vá ao Google! A tua aparente instrução encontra obstáculos intransponíveis na tua enorme visão mecanicista do mundo. Mensurar a importância do FSM a partir da pequena presença de chefes de estado é imaginar, ao mesmo tempo, que a grande presença de inúmeros chefes de estado em Davos atribui ao mesmo importância e verdade fundamental. Quem diria que, a partir de uns tapas não-revidados um homem organizou um poderoso movimento - no início, uma titiquinha - que viria a libertar a Índia do jugo imperial inglês? Ah, se na atualidade uns tapas na orelha pudessem ajeitar as idéias de "uns que outros"!

Anônimo disse...

Que é isso Castilho?

Essas pragas aqui em Poa? Aquele fedor de merda no parques e ruas.
Cada figura esquisita.
600.000 camisinhas para o evento em Belém.

Carlos Eduardo da Maia disse...

Que maravilhas ocorreram a partir do surgimento do FSM, Ari? O próprio FSM andou mal das pernas. No ano passado nem foi realizado. Enquanto o FSM continuar com seu vies dominante anticapitalista, vai continuar sendo uma cimeira de ingênuos e insensatos. Interessante que o FSM nunca elaborou nenhuma carta, nenhum documento, nenhum manifesto. E por quê não elabora? Porque tem medo de desagradar certos grupos de minorias participativas anticapitalistas. Eu também quero, defendo e luto por um mundo melhor e possível, mas quando vejo o pessoal do FSM admirando o regime cubano, o Chávez, o Fidel e o Stédile fica difícil vislumbrar um caminho de mundo melhor possível. Definitivamente esse mundo não é o que ocorre nos arredores do Malecón como refere o Pedro Juan Gutierrez em suas crônicas de La Vieja Habana.

Anônimo disse...

Será mesmo que dona Hebe seria recebida em Davos? Por quem? E que importância tem se uma pessoa, dentre milhares, fica histérica? Será o senhor Soros um homem de sentimentos assim tão delicados? Eu não gosto de manifestações como esta que mencionaste, acho bobo e demagógico (apesar das palavras da dona Hebe, em si, serem verdadeiras), mas será que um homem tão elogiado por sua "habilidade" não consegue escutar alguma coisa que não seja bajulação? E as coisas que a sociedade tem de ouvir todos os dias desses senhores, sem ter a menor chance de que a imprensa repercuta o contraditório?
Diálogo é vital, sim. Simulacros de diálogo - pra quê? É como outros disseram aqui, a sociedade está colocando propostas todo santo dia, em um nível de qualidade impressionante, e ela o faz em um diálogo permanente com o mundo ao redor, porque sabe que só assim se produzem alternativas que funcionam. Só que os 40 mais 2 governantes que vão lá gastar os canecos pra jogar conversa fora não prestam atenção. Mecanismos para captar o que a sociedade anda pensando e fazendo eles tem, o que lhes falta é interesse, abertura para aceitar o que lhes contraria os interesses.
Falta de grana para organizar algo que contraria os grandes interesses do capital? Bom, me conte uma novidade.Taí uma contigência que uma pessoa que trabalha com cultura, por exemplo, enfrenta rotineiramente.E o FSM produz, sim, milhares de documentos. É apenas coerente que uma reunião que busca apresentar inúmeras visões diferentes não se proponha a tirar um documento único, uma "carta" cuja única utilidade seria espelhar a visão de um punhado de medalhões. O grande debate do FSM ocorre dentro de outra lógica.
A propósito, a turma que vaiou o Lula por ir a Davos era barulhenta - e estavam no direito deles - mas, assim como eu, uma enorme quantidade de pessoas NÃO vaiou.

Rita

Clairton disse...

Os arredores do Malecón com certeza, bichinho escroto da maia ( o insano da blogsfera gaúcha) não são piores do que a seguinte cena dos bairros de Los Angeles, descrita em 2007 e que deve piorar ainda mais graças a crise fomentada pelo seu herói Bush filho, que hoje tu covardemente renegas chamando-o de rancheiro troglodita:

"Há não muito tempo atrás, Kenneth Johnson, 29 anos, morava em um edifício de apartamentos em West Los Angeles, com a mulher e três filhos, e tinha um salário de US$ 4 mil como operador de escavadeira. Agora, ele está desempregado e se divorciou, e se acomoda a cada noite para dormir em uma calçada imunda da região de Los Angeles conhecida como Skid Row, uma área de 50 quarteirões deteriorados no centro da cidade.

"É estranho estar aqui", diz Johnson, encostado em uma parede para descansar, enquanto a noite começava a cair. "Não é uma sensação muito fácil, mas, depois de duas semanas dormindo ao relento, me acostumei a ela".

Como milhares de outras pessoas nessa "cidade dos desesperados" abrigada no coração da metrópole, Johnson decidiu que se acomodaria em Skid Row porque é área de Los Angeles em que é mais fácil encontrar serviços gratuitos, três refeições diárias para os indigentes e um abrigo para dormir, se necessário. E recentemente os moradores de rua da área também receberam certo alívio contra a pressão policial que costumava ser exercida no local.

Sob pressão da divisão local da União Norte-Americana pelas Liberdades Civis (ACLU), um dos mais importantes grupos de defesa dos direitos humanos dos Estados Unidos, o governo municipal de Los Angeles decidiu em 10 de outubro que não apelaria da decisão de um tribunal federal e permitiria que os moradores de rua continuassem dormindo nas calçadas, pelo menos até que a cidade consiga oferecer 1,25 mil novos leitos em acomodações para pessoas de baixa renda.

O acordo entre a prefeitura e a ACLU serve para revogar, em parte, uma campanha de tolerância zero contra pequenos delitos na área de Skid Row, entre os quais dormir em lugares públicos, empreendida no final do ano passado por ordem de William Bratton, o chefe da polícia da cidade. O esforço reduziu em cerca de metade o número de indigentes que freqüentavam a área um ano atrás, estimado em cerca de 8 mil pela polícia.

Alguns defensores dos moradores de rua expressaram preocupação quanto à possibilidade de que o abandono forçado de Skid Row privasse os moradores de rua de serviços essenciais de assistência. A polícia, no entanto, sustenta que a área se tornou mais segura ¿ para todos, incluindo os moradores de rua - com a queda no número de desabrigados que a ocupavam.

Até o dia 6 de outubro, a polícia havia realizado 10,742 detenções em Skid Row e nas cercanias, este ano, 15% a mais do que no período correspondente em 2006. Ao mesmo tempo, os crimes contra o patrimônio caíram em 25% e os crimes violentos em um terço, de acordo com estatísticas policiais.

Mas embora existam 17 mil leitos em abrigos no condado de Los Angeles, a maioria dos quais na área urbana, o número de moradores de rua nos 10,5 mil quilômetros quadrados do condado chega a 74 mil, de acordo com funcionários da prefeitura. E a despeito da queda no número de moradores de rua em Skid Row, a área continua a ser uma das maiores concentrações de desabrigados do país. Como resultado, os abrigos estão lotados todas as noites, disse Andy Bales, da Union Rescue Mission, que opera um deles.

Ainda que os abrigos tenham montado camas de campanha em seus pátios para acomodar o excedente de demanda a cada noite, alguns dos moradores de rua preferem dormir na calçada, o que, segundo eles, é mais seguro. Uma mulher, Guadalupe Ibarra, que toma banho e come nos abrigos mas não dorme neles por medo, apontou para os sacos de dormir e barracas sob o toldo de uma loja. "Nossa casa é ali", ela disse. "Todos respeitamos uns aos outros, por aqui".

Mas os moradores de Skid Row têm visto uma redução em seu território, nos últimos anos, à medida que mais e mais projetos imobiliários recuperam a área para uso mais sofisticado. Restaurantes que funcionam até tarde, galerias de arte e construções reformadas como lofts residenciais -vendidos por centenas de milhares de dólares- agora cercam a área dos moradores de rua.

A intervalos de poucos dias, produções de Hollywood invadem as ruas do bairro e iluminam uma agência bancária ou bar construídos 50 anos atrás, como forma de mostrar a vida dura de uma cidade na costa leste. Pessoas levam seus cachorros para passear em ruas ocupadas por livraria se lojas de DVDs, e os mendigos raramente os abordam para pedir esmolas.

"Há muita gente com dinheiro por aqui, agora", disse Ibarra. "Eles construíram cercas e portões em muitos dos lugares em que costumávamos ficar". Ela disse que as mudanças levaram muitos dos moradores de rua a optarem por East Los Angeles ou pelo vale de San Fernando, e também por Santa Monica e Venice Beach, mais a oeste. Mas boa parte de Skid Row continua ocupada por alcoólatras e viciados em drogas que caminham sem rumo, e por moradores de rua acomodados nas calçadas manchadas de urina, em sacos de dormir, caixas de cartolina e barracas.

Lee Ann Salazar, 63 anos, diz que vive nas ruas de Los Angeles há seis anos. Ela tenta se manter sempre móvel, e cuida de cerca de 70 gatos vadios, aos quais estava servindo ração. Salazar conta ter sido atacada recentemente por membros de uma gangue, que queimaram seu carrinho de supermercado, no qual ela transportava todas as suas posses.

"Viver aqui é como deslizar por uma navalha de 10 m", ela diz. Não se pode permitir que o corpo relaxe. Levantar cada manhã é tão difícil quanto arrancar dentes".

Ary disse...

Rita e Clairton:
A acrescentar: em 2005, 5000 (cinco mil!) pessoas viviam nos subterrâneos de Nova York (junto ao esgoto), cidade que deve ter rezado pela cartilha de Davos. Só por curiosidade, será que aquele número aumentou ou diminuiu?

Cel disse...

Só para "nossotros" dormirmos tranquilos! Então o FSM não vem pra POA em 2011?

Que bom!
Assim nosso lago Guaiba não terá represas de "borrachinhas" , nem ondas de "papelotes apagados". Nem tampouco "croquetes" boiando.

Se é para ter FSM em POA tem que ter governo petísta, então jamais.

O Olívio foi eleito porque o Plano Real fez com que os produtores rurais bancassem a estabilidde do Real. Assim votaram, em protesto, para ver o circo pegar fogo. Isso não vai acontecer novamente.

Adios FSM.

Que vão para Cuba.

Cel

MICHIMBA disse...

A Lagoa dos Patos levou dois anos para diminuir os coliformes fecais após o último Fórum "Dai-vos uns aos outros(com camisinha)".
Tomara que nunca voltem!

Michimba

Eu Fora disse...

Contaram-me que está uma farra no Campus:Tomam banhos nús no rio Guamá,fazem sexo ,topless, e uma fumacinha com cheiro suspeito paira no ar.Está como o Diabo gosta.Quem se escandaliza é informado que são hábitos estrangeiros.Pobre Brasil e pobre Belém.Não passo nem perto.

Ary disse...

Eu diria com toda a tranquilidade: Cel, Michimba e Eu Fora, trocados por um carrinho cheio de cocô seria prejuízo para quem entrou com o cocô. Vocês três são ruins por demais!

panoramix disse...

Como eles estão furiosos! Será que perderam alguma boquinha com a Yeda ou Fogaça? É discurso ensaiado, jogral! E a furia insana do direitoso!

Anônimo disse...

Nada, Ary, que gurizada tão antenada. Obviamente são do time que jamais viu o FMS, embora tenha acontecido na esquina da casa deles. Até vou contar uma historinha pra vocês: no último fórum, que aconteceu entre os parques Marinha e Harmonia, tivemos de transitar por uma ponte sobre um arroiozinho que existe lá, à direita do arroio Dilúvio. Pois sabem que eu fiquei com uma puta vergonha, com o perdão da má palavra, porque o tal arroio - adivinhem o que? - era esgoto a céu aberto. Uma fedentina dos diabos. Já estava lá antes que os milhares de hóspedes estrangeiros e de todo o Brasil chegassem para conversar e confraternizar.

Imaginem, tinha até estudantes universitários, de universidades caras, até da Suiça, uma gente que, sei lá por que, resolve se interessar também pelo bem estar coletivo em vez de apenas se fechar num mundinho egocêntrico, mimado, tapado e, por que não dizer, dopado. Confesso, entretanto, que não os vigiei de perto o tempo todo, de modo que não sei se em meio a tantas oficinas, palestras e reuniões eles praticavam sexo seguro.

Mas, passou. Agora, tudo de bom, vida nova. E já que as pessoas de nível de Porto Alegre não vão mais ter de aturar o FSM (portanto, os charutos deles não virão), quem sabe Cel, Michimba e Eu Fora não pedem ao prefeito que dê um jeito nessa... nesse esgoto todo, que é de nossa própria autoria. Ah, não, desculpe, Eu Fora, ao escolher seu pseudônimo, já disse a que veio.

Rita

Anônimo disse...

Ainda uma coisa, Eu Fora, pra não teres de consultar o dicionário: pseudônimo é mais ou menos a mesma coisa que nick name, tá?

Rita

Anônimo disse...

Outra coisa, Eu Fora: tá precisando fazer algumas coisas que o diabo gosta, né não? Olha que quando a gente começa a fantasiar com topless e fumacinhas de cheiro suspeito...

Rita

Anônimo disse...

Sera que ja da pra ver pelo satelite a "queimada" em Belem?
Eita fumace...

Ary disse...

Pois é Rita, se a turma do fumacê, da miçanga, dos cabelos longos, tivesse sido ouvida nas décadas de60 e 70, certamente o mundo seria outro. Mas aquela turma perdeu.Quem venceu foi o pessoal "que usa gravata e faz cocô no Arroio Dilúvio. São fantasmas que andam por aí. Apenas fantasmas.

Anônimo disse...

Para quem se interessar, Robert Kurz, "Crise Mundial e Ignorância":
" (...)
Naturalmente que a consciência dominante resiste ao ponto de vista de que, segundo todos os sinais, se trataria de algo que não apenas um movimento cíclico descendente. Ainda antes de o arrasador impacto do colapso económico ter atingido a vida quotidiana, já em toda parte se presume que dentro de alguns meses, ou no máximo um ano, todos sobreviverão satisfeitos e as coisas capitalistas estarão de volta ao seu “normal”. Segundo as últimas sondagens Forsa, apenas 18 por cento de cidadãos alemães acreditam que em 2009 virá uma “deterioração” económico-social. Esta confiança, baseada na ignorância de um pensamento positivo enlouquecido, está em flagrante contradição, por exemplo, com as declarações do gestor de topo da Toyota sobre uma “situação nunca vista”, ou da maioria dos investigadores da economia, que duvidam da sua própria capacidade de previsão. Se até mesmo o discurso oficial académico e político vê em risco as bases sistémicas que ele, naturalmente, quer salvar a qualquer preço, então não terá de ser a teoria crítica da dissociação-valor a desculpar-se pelos prognósticos por si há muito apresentados de uma crise histórica da valorização do capital.
(...)"

Anônimo disse...

Somente, cabeças sem juízo, trariam este bacanal de retóricas alopradas, sexo, drogas e rock and roll, para Porto Alegre.
O pesadelo não tem fim.
Melhor, seria o fim. Porto Alegre, não suporta, mais, tanto atraso mental.

malacara disse...

FSM colocou Porto Alegre no mapa mundial, sua anta retrógrada. Vc só pode ser um fazendeiro quebrado e ressentido com sexo e roquenrol.
Vai ser gigolô de vaca, meu filho!

Ary disse...

Se reelegeram o Fogaça, é por que o suporte ao atraso mental ainda encontra boa guarida.

Anônimo disse...

O Maia se apega a slogans e o Meszàros é que é medíocre?... rsss

Dilmarréia13 disse...

Pior do que esse Fórum Sexual Mundial, só mesmo o Foro de São Paulo, que é um balaio de gatos de esquerdistas junto com narcotraficantes e admiradores de ditadores.

Yedarréia 69 disse...

É isso, amiga!

Anônimo disse...

As irmãs diarréia...

Anônimo disse...

Das 14:19 hs: nome completo =

DIlmARRÉIA RUINsseff 13

Candidata do Mollusco Bebum.

Contato com o blog Diário Gauche:

cfeil@ymail.com

Arquivo do Diário Gauche

Perfil do blogueiro:

Porto Alegre, RS, Brazil
Sociólogo